GEB x GET x VET: o que são e como calcular?

Atualizado: Mai 20

Falar de metabolismo basal, calorias e gasto energético é sempre um desafio. Há muitas questões a serem esclarecidas, e como tudo na biologia humana, a variedade entre indivíduos é muito grande.

TMB GEB GET VET
Foto: Boxed Water Is Better/ Fonte: unsplash.com

Para calcular o #gastoenergético dos pacientes, uma das opções mais confiáveis é o exame de calorimetria indireta. Ela mede a produção de energia a partir das trocas gasosas do organismo com o meio ambiente. Admitindo-se que todo o oxigênio consumido é utilizado para oxidar os substratos energéticos (carboidratos, proteínas e lipídeos) e que todo o gás carbônico produzido é eliminado pela respiração, é possível calcular a quantidade total de energia produzida.


Como nem sempre é viável submeter o paciente à #calorimetria indireta, na maioria das vezes calculamos o gasto energético a partir de equações preditivas segmentadas por idade, estatura, peso, sexo, estado fisiológico e nível de atividade física.


TMB GEB GET VET
Foto: Sandra Seitamaa/ Fonte: unsplash.com

E como usar esses valores no atendimento nutricional?


Quando calculamos o #GET (gasto energético total) estamos calculando as necessidades energéticas diárias do indivíduo. Ou seja: toda a #energia gasta em 24 horas. O GET é composto pela somatória de 3 fatores:


1) GEB (gasto energético basal) ou TMB (taxa de metabolismo basal): é a energia requerida para manter processos essenciais ao organismo, como atividades do sistema nervoso, síntese celular, produção de enzimas, ventilação pulmonar, circulação, manutenção da temperatura corporal, secreção de hormônios e excreção renal, por exemplo. Ou seja: as calorias que precisamos para sobreviver. O #GEB é medido pela manhã, com o indivíduo acordado, em repouso completo, em ambiente termicamente neutro, 10 a 14 horas de #jejum (estado pós-absorção). Geralmente o GEB corresponde à maior parte do GET (de 60 a 75% dele, podendo cair para até 45% em atletas, pois estes têm um gasto proporcionalmente maior com a atividade física) e decresce 2 a 3% por década a partir dos 35 anos.


Em geral, quanto maior a #massamuscular, maior o GEB. Isso explica as diferenças de queima calórica entre homens, mulheres e idosos. A musculatura esquelética é responsável, sozinha, por 20% do GEB. Alterações fisiológicas (fase de crescimento, gestação, lactação) ou patológicas (febre, queimaduras, câncer, cirurgias) que elevam a demanda de calorias, também elevam o GEB.


Obs.: o GER (gasto energético em repouso) é a energia gasta em condições similares ao gasto energético basal (GEB). A diferença entre ambos é que no GER o indivíduo deve permanecer em repouso por 30 minutos para neutralizar a atividade física exercida até o local do exame, mas não precisa estar em jejum prolongado (3 a 4 horas da última refeição é o suficiente). Em média, o GER é 10% mais elevado do que o GEB, devido ao efeito térmico do alimento ou termogênese induzida pela dieta (energia gasta com a digestão) e à influência da atividade física, mesmo que mínima.


2) ETA (efeito térmico do alimento) ou TID (termogênese induzida pela dieta) ou ADE (ação dinâmica específica) ou resposta metabólica ao alimento: é a energia gasta para ingestão, digestão, absorção, transporte e armazenamento de nutrientes, que ocorre de 1 a 4 horas após as refeições. A #TID varia de acordo com a composição da #dieta. Para uma dieta mista habitual, o efeito térmico é de 5 a 10% do VET (valor energético total da dieta). Dentre os substratos energéticos, as proteínas induzem a uma maior #termogênese, enquanto as gorduras demandam menor trabalho ao organismo.


3) Atividade física (AF): ao contrário do que muitos pensam, a atividade não se refere apenas a #exercícios programados, mas a toda a movimentação e trabalho muscular diário (postura, inquietação, tremores). O gasto com a AF varia de acordo com o tipo, duração, frequência e intensidade da atividade. Como ela é um múltiplo do GEB, a idade, peso e composição corporal do indivíduo afetam a AF. O gasto energético com a AF varia de 10 a 15% do VET na maioria dos indivíduos, mas pode representar até 50% do VET em pessoas extremamente ativas.


E o VET?


O VET (valor energético total) é o total de calorias que será prescrito pelo #nutricionista. É claro que a coisa não é matemática assim. Como foi dito no início do post, as variações da biologia humana afetam enormemente esta relação. Mas a princípio, a relação entre a ingestão calórica (VET) e o gasto calórico (GET), chamada de balanço calórico, determinará se o paciente vai:

  • ganhar #peso (balanço calórico positivo –> VET > GET)

  • perder peso (balanço calórico negativo –> VET < GET)

  • manter o peso (balanço calórico nulo –> VET = GEB)

Para que o paciente não tenha quedas do #metabolismobasal ou perda acentuada de massa muscular, em dietas de média ou longa duração, é recomendado que o VET seja igual ou maior que o GEB.


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Bibliografia consultada:


CUPPARI, L. Nutrição Clínica no Adulto. Barueri: Manole, 2002.

J.R.C. DIENER, J.R.C. Calorimetria indireta. Rev. Assoc. Med. Bras. vol.43 n.3 São Paulo July/Sept. 1997.


MARTINS, C. Avaliação do estado nutricional e diagnóstico. Volume 1. Curitiba: Nutro Clínica, 2008.


MUSSOI, T.D. Avaliação Nutricional na Prática Clínica: da gestação ao envelhecimento. Guanabara Koogan: Rio de Janeiro, 2014.


PHILIPPI, A. T., AQUINO, R. C. Recomendações Nutricionais nos Estágios de Vida e nas Doenças Crônicas Não Transmissíveis. Série SBAN. Manole: São Paulo, 2017.