Dobras Cutâneas, Bioimpedância ou DEXA? Qual o Melhor?

Atualizado: há 5 dias

Nutricionista, existem diversos métodos para que você avalie a composição corporal de seu paciente. Dentre as mais utilizadas estão a antropometria – com a medição de dobras cutâneas – a bioimpedância e o DEXA. Qual dos três é o melhor para sua prática dentro do consultório? Você já se fez esta pergunta?


dobras cutaneas bioimpedancia DEXA.
Foto: Public Domain Pictures / Fonte: pixabay.com

Avaliação de composição corporal


Na avaliação da composição corporal, o nutricionista consegue distinguir e quantificar os principais componentes do organismo humano, principalmente a massa magra, massa muscular e a massa gorda ou tecido adiposo. Essa avaliação é fundamental para que o nutricionista faça uma avaliação completa do estado nutricional! Além disso, os resultados de composição corporal vão direcionar o planejamento dietético e servirão de base para o monitoramento das modificações corporais ocasionadas pela prática de exercícios físicos.


Além do tecido adiposo subcutâneo, quantificar a gordura visceral é um importante indicativo para avaliar o risco de desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, como doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes e síndrome metabólica.


Nesse sentido, surgem algumas dúvidas em relação a qual dos métodos é melhor: dobras cutâneas, bioimpedância ou DEXA. Vamos falar um pouco mais destas três técnicas para você!


Dobras Cutâneas


adipometro antropometria dobras cutaneas
Foto: Daniel Dan/ Fonte: pexels.com

Este método é o mais utilizado entre os profissionais nutricionistas. Além de ser uma metodologia eficiente e validada, a antropometria usando pregas cutâneas possui muitas vantagens. O uso de equipamentos de baixo custo, necessidade de pequeno espaço físico, facilidade e rapidez na coleta de dados e o fato do método não ser invasivo são apenas alguns dos pontos positivos da avaliação de composição corporal por dobras cutâneas.


Para selecionar o método e a equação mais adequados, fatores como idade, sexo, etnia, nível de atividade física e quantidade de gordura corporal, precisam ser levados em consideração. O ideal é que as características da paciente que se quer avaliar sejam similares às da amostra utilizada no processo de validação da equação escolhida.


Normalmente os erros na coleta de dados para avaliar a composição corporal do paciente por dobras cutâneas acontecem com o mesmo avaliador ou com avaliadores diferentes. Os erros conhecidos como intra-avaliadores (mesma pessoa) são aqueles nos quais a pessoa não segue corretamente o protocolo de tomada de medidas, por descuido ou por inexperiência profissional. Os erros interavaliadores ocorrem quando a tomada de medidas acontece quando as medidas são tomadas por avaliadores diferentes, o que leva a diferenças significativas nos valores encontrados. Ou seja, esta técnica, apesar de simples, exige bastante treinamento e atenção!


Caso você atenda pacientes idosos, tenha em mente que as sobras cutâneas podem apresentar algumas limitações, pois o organismo do idoso se altera. Dentre as alterações estão a redistribuição e internalização da gordura subcutânea, atrofia das células de gordura e mudanças na espessura e elasticidade da pele.

Bioimpedância elétrica (BIA)


massa gorda bioimpedancia
Fonte: inbody.pt

A bioimpedância tem sido apontada como uma alternativa rápida para a determinação da composição corporal. Através de valores obtidos após a passagem de um corrente elétrica imperceptível pelo corpo do avaliado, o analisador calcula a quantidade de água corporal total e sua distribuição intra e extracelular. Com base no princípio de que os tecidos corporais oferecem diferentes oposições à passagem de corrente elétrica, a BIA então consegue determinar a massa corporal magra e, logo depois, a composição corporal total.


Os tecidos magros são altamente condutores de corrente elétrica devido à grande quantidade de água e eletrólitos, ou seja, apresentam baixa resistência à passagem da corrente elétrica. Por outro lado, a gordura, o osso e a pele constituem um meio de baixa condutividade, apresentando, portanto, elevada resistência.

A bioimpedância tem sido utilizada para estimar a composição corporal e o estado nutricional de indivíduos saudáveis ou em diversas situações clínicas, como desnutrição, traumas, câncer, pré e pós-operatório, hepatopatias, insuficiência renal, gestação, bem como em crianças, idosos e atletas.


Uma das principais vantagens da bioimpedância em relação às dobras cutâneas seria a minimização das variações inter e intra-avaliador e a facilidade do manuseio mesmo o profissional sendo iniciante. As BIAs com 8 polos são consideradas as mais confiáveis.


Por outro lado, os erros na bioimpedância são inevitáveis, visto que o nutricionista precisa que o paciente siga protocolos específicos para a avaliação. Nesses protocolos, os pacientes são orientados a não ingerir grandes quantidades de água, não realizar refeições nas duas horas anteriores ao exame, não ingerir bebidas alcoólicas, não realizar muitos exercícios nas 24 horas antecedentes ao exame e ter urinado pelo menos 30 minutos antes do teste. Além disso, fatores como a posição do indivíduo no aparelho, posição dos eletrodos, temperatura ambiente e o modelo do aparelho podem alterar esta medida.


DEXA


DEXA composicao corporal
Fonte: pt.wikipedia.org

A avaliação por Absortimetria de Raios-x em Duas Energias (DEXA) tem sido considerada como padrão-ouro. Ela é uma das técnicas densitométricas mais usadas no mundo para determinação dos componentes corporais nos distintos grupos etários e em diversas populações.


A medida da DEXA é definida como a quantidade de radiação absorvida pelo corpo ou segmento desejado, calculando a diferença entre a energia emitida pela fonte de radiação e a sensibilizada pelo detector de energia.


Quanto aos custos, a DEXA ainda é uma técnica cara, pois o equipamento utilizado (absorciômetro) tem custo elevado, com baixa disponibilidade no mercado, necessita de instrumental tecnológico apropriado, softwares desenvolvidos para cada finalidade de utilização, profissionais preparados e custos periódicos com manutenção e calibração do aparelho. É por isso que o DEXA está sendo mais utilizado em pesquisas em faculdades e também para que os outros métodos de avaliação de composição corporal sejam validados.


Qual a melhor opção? Dobras, BIA ou DEXA?


A primeira consideração sobre isso é saber qual é mais adequada à rotina do seu consultório ou trabalho como personal diet. Além disso, é fundamental analisar o custo x benefício em relação dessa escolha, já que as ferramentas acima possuem preços bastante diferentes entre si.


Outra questão importante é lembrar que mesmo as melhores técnicas podem levar a erros de avaliação. Dessa forma, nutricionista, uma sugestão que damos é que o método de avaliação da composição corporal que você utilizar no início do acompanhamento nutricional com seu paciente - seja ele indireto (DEXA) ou duplamente indireto (dobras cutâneas, bioimpedância elétrica)- seja mantido até que o paciente receba alta. Assim você poderá avaliar melhor as modificações corporais do paciente ao longo do tratamento, descartando diferenças nos resultados decorrentes da mudança de métodos e, até mesmo, das fórmulas utilizadas. Esta simples manutenção de método pode dar maior confiabilidade em seu trabalho.


Por fim, independente do método, é preciso estudá-lo, treinar, conhecer suas indicações e contraindicações, a maneira correta de avaliar os resultados e como unir essas informações aos outros dados da avaliação nutricional! Assim você fará um atendimento de excelência!


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Bibliografia Consultada:


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