Peso corporal: como e quando avaliar?

Atualizado: Mar 14

Chega no seu consultório um paciente que quer emagrecer. Você faz o quê? Calcula o peso ideal? Sabia que existem vários "tipos de peso", a depender da situação fisiológica do avaliado? Sim! Não existe apenas o número dado na balança ou o percentual de gordura. Confira no post.


peso corporal IMC
Foto: Ketut Subiyanto/ Fonte: Pexels

Antes de mais nada: apesar de sabermos que o nome correto para este termo é #massa corporal, e não #pesocorporal, utilizaremos o nome #peso como sinônimo de massa devido à popularidade do termo, OK?


Conheça os tipos de peso e os casos em que se aplicam:

1. Peso atual

É o peso de balança. Simples assim.


2. Peso teórico ou ideal

Aqui na Cookie preferimos usar o termo teórico, pois consideramos a palavra ideal muito taxativa quando se trata de peso. Peso teórico é a massa considerada como saudável para seu paciente. Há vários parâmetros para avaliá-la – sexo, idade e estrutura óssea – e o indicador mais utilizado para calculá-lo é o #IMC:


Peso teórico (kg) = IMC desejado x #estatura (m) x estatura (m) ou

Peso teórico (kg) = IMC desejado x (estatura)2 (m)


O IMC desejado, comumente 22 para homens e 21 para mulheres, pode também ser definido como o valor médio de IMC, segundo sexo e idade do seu paciente. Ex.: se para um adulto, segundo a OMS, o IMC adequado é entre 18,5 e 24,9, então o IMC médio é 21,7. É assim que nós fazemos nas Planilhas Cookie), para adequar os valores de acordo com o perfil de cada paciente.


Outra forma de calcular o peso teórico é a partir da #compleiçãoóssea ou tamanho da #ossatura. A #compleição pode ser verificada a partir do perímetro do punho ou do diâmetro do cotovelo. Feito o cálculo, é consultada uma tabela que apresenta a classificação da compleição (pequena, média ou grande).


3. Peso usual ou habitual

É o peso que o paciente possuía quando não estava fazendo nenhuma #dieta ou não estava doente. É uma referência importante, pois geralmente é o valor mantido por maior período de tempo. O peso usual é muito utilizado em avaliações de perda de peso em enfermos. Ele pode ser relatado pelo paciente ou pelo acompanhante.


4. Peso mínimo e peso máximo

Semelhante ao #pesousual, refere-se ao mínimo e o máximo que o paciente já teve, depois de adulto. É uma importante referência para entender a realidade do paciente e tornar o processo de educação alimentar mais factível e realista.


peso corporal IMC
Foto: Alessio Roversi/ Fonte: unsplash.com

5. Peso ajustado

Também chamado de peso ideal corrigido, é calculado com base nos pesos atual e teórico, quando o indivíduo significativamente abaixo ou acima do seu peso saudável (índice de adequação menor que 95% ou superior a 115%). É utilizado apenas para o cálculo de #necessidadesnutricionais, com o objetivo de não subestimar ou superestimar as reais necessidades do avaliado.


Ex.: se uma pessoa deveria ter 50 kg e está com 100 kg, ela está com o dobro do peso indicado, ou seja, com 200% de índice de adequação do peso atual em relação ao #pesoteórico. Se você quer prescrever 1g de proteína/kg peso/dia, seria excessivo considerar que ela precisa de 100 g de proteína, já que há um excesso de #massaadiposa. Nesse caso é calculado o peso ajustado, que aqui é de 62,5 kg, e usado como referência de cálculo. Ou seja: para que o paciente consumo 1g de #proteína/kg peso/dia, a dieta deverá conter 62,5 g de proteína/dia.


6. Peso estimado

Como o próprio nome diz, é um peso feito por estimativa, quando há limitações físicas que impedem o paciente de ficar de pé na balança. É calculado a partir de fórmulas que utilizam #medidas corporais, como #perímetro da panturrilha, do braço e do #abdômen, além da #dobracutânea subescapular e a altura do joelho.


7. Peso seco

É a massa atual do paciente, descontado o #edema. Comumente utilizado em pacientes enfermos, é uma forma de ajustar os valores do peso em casos de retenção hídrica significativa, desde o inchaço nos tornozelos, até casos mais graves, como anasarca. Os valores a serem descontados são definidos em tabelas, de acordo com as áreas afetadas.


8. Peso corrigido em amputados

Quando o paciente é amputado e não consegue ficar de pé em balança, pode-se calcular seu peso estimado e, então, descontar o peso do membro amputado. O valor a ser descontado é uma porcentagem do peso total, definida de acordo com a parte do corpo em questão.


Ex.: o pé corresponde a 1,5% do peso total do corpo. Uma pessoa com peso estimado de 60,0kg, porém comum dos pés amputados, tem peso estimado de 59,1Kg.


9. Peso desejado

É o peso que o paciente deseja ter. Para nós da Cookie, quando é feita uma avaliação antropométrica, é muito importante conhecer os desejos do paciente. Afinal de contas, não é ele a pessoa mais importante nisso tudo?


10. Peso alvo

Semelhante ao peso desejado, é a massa que o paciente ficaria ao atingir o #percentualdegordura desejado, caso não houvesse nenhuma alteração da massa magra. Ele é calculado quando o foco é atingir uma meta de percentual de gordura, e não uma meta de peso. Evidentemente, o peso alvo é uma estimativa, já que no processo de #emagrecimento é improvável que não haja alteração de massa magra. Isso é muito individual e depende, inclusive, do nível de atividade física do paciente.


11. Massa gorda

É a massa do total de gordura corporal, calculada a partir do percentual de gordura do paciente. Ex.: uma pessoa com 60 kg e 10% de gordura corporal possui 6 kg de massa gorda.


12. Massa magra

É a massa atual, descontada da massa gorda. Tudo que não é peso gordo, é massa magra.


Ex.: a mesma pessoa que possui 60 kg e 6 kg de massa gorda possui 54 kg de massa magra.


13. Massa muscular

Peso relativo à #massamuscular esquelética do indivíduo. É um dos componentes da massa magra, calculado a partir de dobras cutâneas e circunferências. Varia consideravelmente entre praticantes de exercícios e sedentários, bem como entre pessoas de etnias diferentes.


14. Massa óssea

Refere-se à #pesoósseo do indivíduo. É também um dos componentes da massa magra. Para calcular a massa óssea é imprescindível que sejam feitas medidas de diâmetros ósseos, com paquímetro.


15. Massa residual

Massa relativa à água, vísceras e demais componentes da massa magra que não fazem parte da massa óssea, nem da massa muscular. Em resumo: massa magra = massa muscular + massa óssea + massa residual. Para entender melhor a relação entre massa gorda, massa magra, massa muscular, massa óssea e massa residual, assista ao vídeo abaixo:



Quais deles escolher?


A escolha dos indicadores e protocolos dependerá do perfil do paciente e dos objetivos abordados na avaliação antropométrica. É claro que o profissional precisará dos equipamentos adequados para aferição das medidas e de um programa para facilitar e acelerar os cálculos. Quando a avaliação envolve a composição corporal, o #adipômetro, a fita métrica e o #paquímetro entram em cena.


Nutricionista, para conhecer as Planilhas Cookie, clique aqui. Você poderá ver os protocolos de avaliação antropométrica, #recomendaçõesnutricionais e cálculo de dieta, com suplementos nutricionais, usados na elaboração do material.


Bibliografia consultada:


CUPPARI, L. Nutrição Clínica no Adulto. 3. ed. Barueri: Manole, 2014.

FILHO, J. F. A prática da avaliação física: teste, medidas e avaliação física em escolares, atletas e academias de ginástica. 2. ed. Rio de Janeiro: Shape, 2003.

MARTINS, C. Avaliação do estado nutricional e diagnóstico. Volume 1. Curitiba: Nutro Clínica, 2008.

MUSSOI, T.D. Avaliação Nutricional na Prática Clínica: da gestação ao envelhecimento. Guanabara Koogan: Rio de Janeiro, 2014.