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Por Que a Suplementação Não Deve Substituir a Refeição

Suplementos Alimentares

Nós, nutricionistas, bem sabemos o quanto os suplementos alimentares são requisitados, tanto por atletas quanto por praticantes de atividade física. Que profissional de atuação clínica nunca passou pela situação de precisar explicar ao paciente que ele não precisaria fazer o uso de nenhum tipo de produto, mesmo ele tendo a convicção que só conseguiria atingir um objetivo específico com o uso de substâncias ergogênicas? Pensando nisso, escrevemos um post explicativo sobre suplementação para você avaliar ainda mais a prescrição de suplementos alimentares! Confira:

Mas antes… O que são suplementos alimentares?

Suplementos Alimentares

Será que são aqueles tipos de produtos “bom demais para ser verdade”? Não! Os suplementos alimentares são produtos destinados a atletas que praticam exercício físico de alta intensidade, com o objetivo de participação em esporte com esforço muscular intenso. Neste sentido, a Anvisa estabeleceu a classificação, a designação, os requisitos de composição e de rotulagem dos alimentos para atletas na Resolução RDC nº 18/2010. Assim, foi adotada a seguinte classificação para os suplementos destinados aos atletas:

  • suplemento hidro eletrolítico para atletas
  • suplemento energético para atletas
  • suplemento proteico para atletas
  • suplemento para substituição parcial de refeições para atletas
  • suplemento de creatina para atletas
  • suplemento de cafeína para atletas

 

Mesmo com esta designação, o forte apelo publicitário dos produtos, bem como a expectativa por resultados rápidos e milagrosos faz com que um número cada vez maior de indivíduos queiram utilizar a suplementação indiscriminada de substâncias, muitas vezes, desconhecendo riscos envolvidos no uso. Por isso, o uso ou não de suplementos precisa ser avaliado por profissionais de saúde capacitados para este fim, pois muitos produtos podem conter substâncias proibidas para uso em alimentos, como estimulantes, hormônios ou outras consideradas doping pela Agência Mundial Antidoping.

Suplementação

De acordo com a Anvisa, os produtos popularmente conhecidos como suplementos alimentares não podem alegar propriedades ou indicações terapêuticas, como é o caso de rótulos e propagandas que indicam alimentos para prevenção ou tratamento de doenças, emagrecimento, redução de gordura, ganho de massa muscular, aceleração do metabolismo ou melhora no desempenho sexual.

Como a comercialização desses produtos não exige receita médica, vemos um boom de ingestão de nutrientes que, muitas vezes, não são requeridos pelo organismo. Além destes nutrientes, a presença de substâncias não declaradas na maioria destes suplementos também é um fato a ser levado em consideração, já que estas podem acarretar diversos problemas de saúde a curto, médio e longo prazos.

Algumas questões sobre suplementação:

  • A alta ingestão de nutrientes isolados, principalmente quando essa ingestão fica próximo ou ultrapassa o limite de ingestão (UL), pode levar à diminuição da biodisponibilidade de outros.
  • A alta ingestão de nutrientes também pode acarretar um desequilíbrio no perfil/quantidade aceitável deste nutriente no organismo.
  • A informação do rótulo e a composição nutricional real do produto comercializado como suplemento são, na maioria dos casos, extremamente contraditórias.
  • É preciso conhecer bem como a substância será absorvida e utilizada pelo organismo para não cair em propagandas enganosas.

 

Em alguns casos, o suplemento faz sentido metabólico e é exatamente por isso que as indústrias investem em muitas substâncias, como carnitina, óxido nítrico, colágeno e outros, por exemplo. Mas será mesmo que aquele produto será absorvido? Por qual via? Quanto desta substância aparecerá na circulação sanguínea? E será mesmo que ele atingirá o órgão alvo e fará o que promete no rótulo do produto? Muitas vezes não. E é bom ficar atento para não fazer seu paciente comprar gato por lebre.

Atletas

E mesmo que o suplemento apresente funcionalidade, é preciso avaliar bem sua especificidade! Muitos deles apresentam pequenos efeitos, que são funcionais apenas para atletas de ponta específicos (como por exemplo, as substâncias que melhoram de 1 a 3% no desempenho, podendo ser a diferença entre a medalha de ouro e o segundo lugar). Deste modo, esta melhora pode ser boa para alguns e não fazer nenhum efeito para outros e essas informações podem ser usadas pela indústria para alegar que tais substâncias fazem efeitos para a população em geral. E não é bem assim!

Atividade Física

Para as pessoas que praticam atividade física com objetivo de promoção da saúde, recreação ou estética e que têm uma alimentação balanceada, em geral, não há necessidade de suplementação. Na maioria dos casos, uma dieta balanceada e diversificada de nutrientes já é suficiente para atender a demanda energética e de nutrientes do indivíduo. Vamos nos atentar ao fato de que, muitas vezes, a prescrição de suplementos apenas é feita pela vontade de atingir uma expectativa do paciente, não pelo efeito (comprovado) do mesmo.

Claro que o atual estilo de vida e a falta de tempo para preparo das refeições seriam bons motivos para a prescrição de complementos alimentares, porém o profissional precisa colocar em prática seu papel de educador nutricional e trabalhar uma mudança de hábitos com o paciente, para que este aprenda a se alimentar de maneira consciente e prática, diminuindo assim os riscos de deficiências nutricionais. Até porque, convenhamos, é muito mais barato e gostoso comprar e ingerir alimentos do que suplementos!

Quer um bom macete para saber se você deve prescrever um suplemento ou não?

Suplementação

O suplemento precisa ser:

Legal – o produto e seus ingredientes são liberados pela agência reguladora? No caso, a Anvisa?

Ético – naquele produto existe alguma substância que o nutricionista não pode prescrever?

Eficaz – o suplemento realmente tem efeito no organismo do atleta? Existem estudos científicos e confiáveis que comprovem a ação?

Seguro – o consumo do produto traz algum efeito negativo para quem o ingere?

Se você respondeu sim a estas perguntas, ótimo. Agora basta saber se realmente o produto é necessário para equilibrar a alimentação de seu paciente.

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Você Sabia?

Suplementos Alimentares

O Conselho Regional de Nutricionistas informa que a prescrição de suplementos nutricionais, quando indispensável para suprir necessidades específicas do paciente, pode ser realizada pelo nutricionista. Mas esta deve ser de caráter de suplementação do plano alimentar do cliente, e não de substituição de uma alimentação saudável e equilibrada.

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Por tudo isso…

Suplementos Alimentares

É preciso que tenhamos bastante atenção e avaliação crítica sobre o uso de produtos com alegações ergogênicas e de aumento de desempenho para praticantes de atividade física. Muitas pessoas veem o uso de suplementos com mais importância do que a prática de esportes e uma dieta balanceada. E não é bem assim! Os suplementos são o topo desta pirâmide, com base destinada à alimentação e logo após o exercício físico. Ou seja: a suplementação seria apenas a “cereja do bolo”, aquele “algo a mais”. Neste sentido, o nutricionista, juntamente com o atleta precisam avaliar se há algum produto de nutrição esportiva que possa trazer o “algo a mais” durante dias duros de treinamento e/ou competição.

Para praticantes de atividade física, caso a dieta do paciente esteja desequilibrada, o mais sensato a se fazer é tentar adequar a alimentação do indivíduo e, só depois, avaliar se há a necessidade de suplementação de algum tipo de nutriente. Isso porque os suplementos não são mais eficazes do que a alimentação!

Então, caso você, nutricionista, for prescrever algum tipo de suplemento alimentar para seu cliente, é necessário que você esteja apto a justificar, monitorar e avaliar a prescrição adotada, sempre se baseando em evidências de entidades reconhecidamente científicas e não apenas de organizações com capa educacional, porém com fins lucrativos. Vamos exaltar, sempre mais, a alimentação natural, que é o nosso real instrumento de trabalho.

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Texto: Anne Karoline
Revisão: Ju Tolêdo

Bibliografia Consultada:

ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Brasil). Resolução RDC nº 18, de 2000. Dispõe sobre Alimentos para Atletas. Brasília, DF: ANVISA, 2000.

ANVISA. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Portaria nº 222, de 24 de março de 1998. Brasília, DF: ANVISA, 1998.

Conselho Regional de Nutricionistas. Gerência Técnica e Diretoria do CRN-1. O Nutricionista e a Prescrição de Suplementos Nutricionais. 2014.

Site Asbran

Site Ciência Informa

Site do Conselho Federal de Nutricionistas – Recomendação: Prescrição de Suplementos Nutricionais

Site da Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição.

 

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