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04.02.2014

8 Questões que Você Precisa Saber Sobre Cirurgia Bariátrica

A obesidade é uma doença que atinge milhões de pessoas no Brasil e no mundo. A OMS projeta um cenário ainda pior para os próximos anos: em 2015, existirão 2,3 bilhões de pessoas com excesso de peso e 700 milhões de obesos no mundo todo!

Cirurgia Bariátrica

A primeira opção para se livrar do excesso de peso é o chamado tratamento clínico, que inclui dieta, exercícios, medicação e acompanhamento de endocrinologista e nutricionista. O trabalho em conjunto com fisioterapeuta e psicólogo melhoram ainda mais os resultados.Entretanto, nem sempre tratamento clínico é eficaz. Nestes casos, o tratamento cirúrgico deve ser considerado. Abaixo, as 8 perguntas – e respostas – que você tem que saber sobre este assunto!

 Cirurgia Bariátrica

1. O que é cirurgia bariátrica?

A cirurgia bariátrica – também conhecida como cirurgia da obesidade, ou, popularmente, redução de estômago – reúne técnicas destinadas ao tratamento da obesidade e das doenças associadas ao excesso de gordura corporal ou agravadas por ele.

2. Quem pode fazer a cirurgia?

A indicação cirúrgica deve ser decidida sob a análise de três critérios: IMC, idade e tempo da doença.

Quanto ao IMC:

  • IMC acima de 40 kg/m², independentemente da presença de comorbidades.
  • IMC entre 35 e 40 kg/m² na presença de comorbidades.
  • IMC entre 30 e 35 kg/m² na presença de comorbidades que tenham obrigatoriamente a classificação “grave” por um médico especialista na respectiva área da doença. É também obrigatória a constatação de “intratabilidade clínica da obesidade” por um endocrinologista.

Cirurgia Bariátrica Paul Manson

Na foto acima, com 50 anos de idade e 444 quilos, Paul Mason já foi considerado o homem mais gordo do mundo. Ele passou por uma cirurgia bariátrica, perdeu mais de 300 quilos e está namorando.

Quando à idade:

Abaixo de 16 anos: exceto em caso de síndrome genética, quando a indicação é unânime, o Consenso Bariátrico recomenda que, nessa faixa etária, os riscos sejam avaliados por cirurgião e equipe multidisciplinar. A operação deve ser consentida pela família ou responsável legal e estes devem acompanhar o paciente no período de recuperação.

Entre 16 e 18 anos: sempre que houver indicação e consenso entre a família ou o responsável pelo paciente e a equipe multidisciplinar.

3. Quem não pode fazer cirurgia bariátrica? (contra-indicações)

  • Limitação intelectual significativa em pacientes sem suporte familiar adequado;
  • Quadro de transtorno psiquiátrico não controlado, incluindo uso de álcool ou drogas ilícitas; no entanto, quadros psiquiátricos graves sob controle não são contraindicativos à cirurgia;
  • Doenças genéticas

4. Cirurgia Bariátrica cura o diabetes?

Eis a pergunta de 1 milhão de reais! Este assunto é polêmico e envolve pacientes, associações e toda a literatura médica. A cirurgia pode sim ocasionar a resolução do diabetes, não a cura. Aproximadamente 30% dos obesos operados têm diabetes tipo 2. A resolução completa acontece em 70 a 80% dos casos, ou seja, o paciente passa a dispensar qualquer tipo de medicação. A resolução parcial é registrada em aproximadamente 20% dos casos, quando se deixa de tomar boa parte dos remédios. Em 10% dos casos, não ocorre a resolução parcial.

FaustãoAndré MarquesFaustão realizou em Goiânia a cirurgia bariátrica para o controle do diabetes. André Marques fez a mesma cirurgia.

A diferença para a cirurgia convencional está na recolocação do íleo (fim do intestino delgado) entre o duodeno e o jejuno. Ao entrar em contato com o alimento, o íleo começa a produzir GLP1 (hormônio que estimula a produção de insulina). Nos diabéticos tipo 2, a insulina está reduzida no organismo e o íleo produz pouco GLP1 porque a maior parte do alimento já foi absorvida. Com o reposicionamento de parte do intestino, o alimento entra em contato mais rápido com o íleo, o que pode aumentar a produção do GLP1.

As evidências ainda são insuficientes para concluir sobre o uso da cirurgia até que mais dados sobre os resultados em longo prazo e suas complicações estejam disponíveis. Desta forma, o Conselho Federal de Medicina (CFM) não reconhece este procedimento.

5. Quais são os tipos de cirurgia?

  • Técnicas restritivas: técnicas que limitam o volume de alimento sólido que o paciente ingere nas refeições. De uma forma geral, com estas técnicas o paciente come menos sólidos e pastosos e acaba emagrecendo. Entretanto, o resultado depende da colaboração do paciente, pois alimentos líquidos podem ser ingeridos quase no mesmo volume que eram antes da operação e se forem muito calóricos poderão atrapalhar ou até impedir a perda de peso.
  • Técnicas disabsortivas: técnicas que reduzem a capacidade de absorção do intestino, levando ao emagrecimento. Geralmente, são muito bem sucedidas quanto ao emagrecimento, que pode chegar a 40% do peso original, embora haja necessidade de controle mais rígido quanto a distúrbios nutricionais.
  • Técnicas Mistas: técnicas com pequeno grau de restrição e desvio curto do intestino com discreta má absorção de alimentos.

6. É necessário abrir o abdômen para fazer essas cirurgias

Não. Atualmente as cirurgias para obesidade são realizadas por videolaparoscopia. Ela é realizada através de 6 ou 7 pequenos cortes no abdome. Somente em algumas situações especiais não é possível realizar a cirurgia por via laparoscópica, como em pessoas que foram submetidas a cirurgias abdominais prévias.

7. O que é Síndrome de Dumping?

Síndrome de Dumping

Também conhecida como esvaziamento gástrico rápido, trata-se de uma complicação bariátrica, na qual o alimento ingerido passa rapidamente pelo estômago, caindo no intestino delgado com grande parte dele ainda não digerido.
Após cirurgias bariátricas, os movimentos peristálticos podem ficar desregulados, despejando o conteúdo gástrico muito rapidamente no intestino delgado. Ingerir certos alimentos como açúcares refinados, derivados do leite e gorduras facilita o surgimento das crises. O Dumping acontece quando, depois de beber ou comer, o paciente apresenta taquicardia, sudorese, tontura, queda da pressão arterial e diarreia. Qualquer combinação destes sintomas pode ocorrer em intensidades variadas, dependendo do que a pessoa comeu.

8. Quais são os cuidados recomendados?

  • Acompanhamento psicológico: o foco do acompanhamento psicológico deve ser preventivo e educativo. É preciso considerar o aparecimento de fatores de estresse – como ansiedade, ciúmes do parceiro, desejo de liberdade etc. -, após a cirurgia. Além disso, o paciente pode criar expectativas que não serão atingidas com a perda de peso, simplesmente porque dizem respeito a certas frustrações ou imaturidade diante da vida.
  • Acompanhamento nutricional: o nutricionista tem papel fundamental no acompanhamento do paciente rumo à cura da obesidade. Este profissional deve prestar toda a orientação necessária para a dieta líquida pós-operatória, sua evolução para a pastosa e, finalmente, sua transição definitiva para a alimentação normal. O objetivo do acompanhamento nutricional é buscar o bem-estar físico e emocional através da seleção dos alimentos que contenham os nutrientes adequados e que atendam às necessidades de cada paciente para que a rápida perda de peso não leve à desnutrição.
  • De forma geral, a principal mudança na alimentação após a cirurgia é uma redução importante na quantidade de alimentos consumidos diariamente devido à redução do estômago. Porém, outros cuidados com a alimentação são fundamentais. Pode-se dividir o cuidado com a alimentação em cinco fases após a cirurgia:
  • Fase da alimentação líquida: esta fase corresponde às duas primeiras semanas após a cirurgia e caracteriza-se com uma fase de adaptação. A alimentação é líquida e constituída de pequenos volumes e tem como principal objetivo o repouso gástrico, a adaptação aos pequenos volumes e a hidratação. Como consequência da alimentação líquida, a perda de peso é bastante grande nestas duas semanas, devendo-se introduzir o uso de complementos nutricionais específicos para evitar carências de vitaminas e de minerais. É recomendada a utilização de suplementos a base de proteínas, que conferem maior saciedade, e imunomoduladores. O Allprox, suplemento proteico líquido, é um dos produtos indicado para esta etapa. Ele traz em sua composição 17g de proteína isolada do soro de leite, de alto valor biológico, de fácil digestão e absorção, sem gordura, sem colesterol, sem glúten, sem carboidratos, sem conservantes e adoçantes artificiais ou sintéticos.
  • Nutrir os enterócitos também é necessário, pois favorecer a integridade intestinal é determinante para evitar a desnutrição severa pós-cirúrgica, já que esta ação melhora a absorção dos nutrientes. O Glutatec é um suplemento alimentar formulado com L-Glutamina 100% pura para nutrição enteral ou oral, que atua como nutriente para as células imunológicas e apresenta importante função anabólica promovendo o crescimento muscular.
  • Fase da evolução de consistência: de acordo com a tolerância e as necessidades individuais, a alimentação vai evoluindo de líquida para pastosa com a introdução de preparações liquidificadas, cremes e papinhas ralas. A evolução de cada paciente é variável de forma que a escolha de cada alimento deve ser acompanhada cuidadosamente para evitar desconfortos digestivos, como dor, náuseas e vômitos. Esta fase tem um tempo de duração diferente para cada indivíduo, durando em média 2 semanas.
  • Fase da seleção qualitativa e mastigação exaustiva: após o primeiro mês da cirurgia, inicia-se uma fase onde a seleção dos alimentos é importantíssima, pois considerando que as quantidades ingeridas diariamente continuam muito pequenas, a preferência deve ser dada aos alimentos mais nutritivos, escolhendo fontes diárias de ferro, cálcio e vitaminas. Como a alimentação passa a ser mais consistente, é importante mastigar exaustivamente. A duração desta fase também varia individualmente e dura em média 1 mês.
  • Fase da otimização da dieta: nesta fase a alimentação vai evoluindo gradativamente para uma consistência cada vez mais próxima do ideal. Esta fase tende a ocorrer a partir do 3º mês após a cirurgia, quando quase todos os alimentos começam a ser introduzidos na alimentação diária. Nesta fase o paciente deve ser capaz de selecionar os alimentos que lhe tragam mais conforto, satisfação e qualidade nutricional. Somente não são tolerados alimentos muito fibrosos e consistentes.
  • Fase da adaptação final e independência alimentar: esta fase deve acompanhar o paciente a partir do 4º mês e, como nas fases anteriores, também evolui de acordo com as características individuais podendo iniciar-se um pouco antes ou um pouco depois do 4º mês. A partir desta fase, um acompanhamento periódico faz-se necessário somente para o acompanhamento da evolução de peso e levantamento de informações para identificar se existem carências nutricionais como, por exemplo, a anemia. O paciente já tem segurança na escolha dos alimentos e está apto a compreender quais são os alimentos ricos em proteínas, glicídios e lipídios, cálcio, ferro, vitamina A, vitamina C, folatos além de outras propriedades nutricionais.

Cirurgia BariátricaE então?

Vocês conhecem alguém que fez a cirurgia? Quais as maiores dúvidas, reclamações e complicações relatadas? O que você acha da realização da cirurgia para a “cura” do diabetes? Contem pra gente!

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Texto: Dennia Trindade
Revisão: Lúria Papacosta

Bibliografia Consultada:

HOSPITAL DAS CLÍNICAS DE PORTO ALEGRE. Orientações nutricionais: cirurgia bariátrica. 12 p.

BORDALO et al. Cirurgia bariátrica: como e por que suplementar.Revista da Associação Médica Brasileira, 2011.

ARAÚJO, A. M.; MOTTA-E-SILVA, T. H.; FORTES, R. C. A importância do acompanhamento nutricional de pacientes candidatos à cirurgia bariátrica. Comunicação em Ciências da Saúde, 2010.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Dicas em saúde. Cirurgia Bariátrica.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIRURGIA BARIÁTRICA E METABÓLICA (SBCBM). Cirurgia bariátrica e metabólica.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENDOCRINOLOGIA E METABOLOGIA (SBEM). 10 coisas que você precisa saber sobre cirurgia bariátrica.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE ENDOCRINOLOGIA E METABOLOGIA (SBEM). Cirurgia bariátrica e diabetes.

AMERICAN SOCIETY FOR METABOLIC & BARIATRIC SURGERY (ASMBS).

MAGGARD-GIBBONS et al. Bariatric surgery for weight loss and glycemic control in nonmorbidly obese adults with diabetes: a systematic review. The Journal of the American Medical Association (JAMA), 2013.

ASSOCIAÇÃO DIABETES BRASIL (ADJ). A Cirurgia Bariátrica Pode Curar o Diabetes?

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA PARA O ESTUDO DA OBESIDADE E DA SÍNDROME METABÓLICA (ABESO). A Cirurgia Bariátrica Cura o Diabetes? Especialista Esclarece Dúvidas no Congresso da ABESO.

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