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10.03.2017

Protocolos de Avaliação da Gordura Corporal em Adultos: qual escolher?

Protocolos de avaliação da gordura corporal

A antropometria tem sido usada por mais de um século para avaliar o tamanho e as proporções do corpo através da medição de circunferência e comprimento dos segmentos corporais. Por volta do ano de 1915, a espessura do tecido adiposo subcutâneo foi medida utilizando-se as dobras cutâneas. Desde então nós, Nutricionistas, utilizamos esses dados para avaliar e acompanhar os resultados de nossos pacientes.

E, além disso…

  • Identificar riscos à saúde associados à níveis excessivamente altos ou baixos de gordura corporal total;
  • Identificar riscos à saúde associados ao acúmulo excessivo de gordura intrabdominal;
  • Levantar dados que sirvam de argumentos para o trabalho de educação nutricional;
  • Monitorar mudanças na composição corporal devido a alterações clínicas e patologias;
  • Avaliar a eficiência de intervenções nutricionais e de exercícios físicos na alteração da composição corporal;
  • Estimar o peso e a composição corporal ideal de atletas e não-atletas;
  • Formular recomendações dietéticas e prescrições de exercícios físicos (no caso de profissionais de educação física);
  • Monitorar mudanças na composição corporal associadas ao crescimento, desenvolvimento, maturação e idade.

Hoje, viemos falar um pouco mais sobre protocolos de avaliação da gordura corporal! Mas, antes…

A quantidade de gordura corporal é determinada avaliando-se a massa gorda (MG) e a massa livre de gordura (MLG) do indivíduo. A MG inclui todos os lipídios que podem ser extraídos do tecido adiposo e outros tecidos. Já a MLG consiste em todos os tecidos e substâncias residuais, incluindo água, músculos, ossos, tecidos conjuntivos, entre outros. Apesar da massa livre de gordura e massa corporal magra (MCM) serem, às vezes, utilizadas indistintamente, há uma diferença: ao contrário da MLG, que não contém lipídios, a MCM inclui uma pequena quantidade de lipídios essenciais, que são aqueles necessários para a formação da membrana celular.

E como calcular a gordura corporal de um indivíduo?

Existem várias maneiras, e o padrão ouro é a pesagem hidrostática. Porém, vamos falar um pouco mais dos resultados obtidos através da predição do percentual de gordura com as medidas de dobras cutâneas e também da bioimpedância elétrica, métodos conhecidos como duplamente indiretos.

Equações de predição de dobras cutâneas

Adipômetro Lange

Antes de mais nada, é importante saber que uma dobra cutânea mede, indiretamente, a espessura do tecido adiposo subcutâneo. Ela é uma medida da espessura de duas camadas de pele e a gordura subcutânea adjacente. E, devido a existência de uma relação entre a gordura subcutânea e a gordura corporal total, a soma de várias dobras cutâneas pode ser utilizada para estimar a gordura corporal total.

Equações de predição de dobras cutâneas são desenvolvidas usando-se tanto modelos de regressão linear (para grupos populacionais específicos), quanto quadráticos (generalizados). Elas devem ser selecionadas baseadas em idade, sexo, etnia, quantidade de gordura corporal e nível de aptidão física. Vamos para alguns exemplos?

  • Durnin & Wormersley, 1974 : estudo feito em homens e mulheres ingleses, com idade entre 16 e 72 anos, sedentários, de classe média.
  • Faulkner, 1968: estudo feito em homens norte-americanos brancos, jovens e nadadores olímpicos.
  • Jackson e Pollock, 1978 e 1980: mulheres de 18 a 55 anos e homens de 18 a 61 anos.

No Brasil, alguns estudiosos como Guedes (1985) e Petroski (1995) desenvolveram e validaram equações para estimativa da densidade corporal através do método de dobras cutâneas, porém é bom lembrar que esses dois estudos foram feitos com amostragens do sul do país.

Algumas fórmulas fornecem resultados diretos da porcentagem de gordura corporal, outras, fornecem o valor da densidade corporal (DC), para que esta seja transformada no percentual de gordura. As equações de Siri (1956) e Brozek (1963), cit. Pollock & Wilmore (1993), são geralmente utilizadas para converter a densidade corporal em % de gordura corporal. Mas, como estas equações foram definidas através da suposição de uma constante densidade para a massa livre de gordura, outras equações para populações específicas vêm sendo desenvolvidas: mulheres, índias americanas, negros, hispânicos, japoneses ativos, brancos, mulheres com anorexia e homens obesos.

E a aplicabilidade dessas equações? Bem… é muito importante que o Nutricionista saiba quais são as populações de cada equação e também se esta é validada para a população brasileira, a fim de minimizar erros, subestimando ou superestimando a gordura corporal.

No Brasil, o protocolo de Jackson e Pollock, tanto de três, quanto de sete dobras cutâneas, é validado e amplamente utilizado por avaliadores e pesquisadores, para avaliar adultos (homens e mulheres) saudáveis. Algumas ressalvas seriam para a população de etnia negra e asiática, além de obesos, indivíduos que apresentam anorexia e atletas.

Somatório de dobras cutâneas

O somatório das dobras cutâneas é outro método para analisar o comportamento da gordura corporal, de maneira absoluta, sem considerar a porcentagem de gordura corporal. Para avaliar a gordura corporal total por meio deste protocolo, utiliza-se o somatório de nove ou cinco dobras e compara-se este somatório com uma tabela de percentis, classificados por sexo e idade. Por meio dele é possível acompanhar desportistas e/ou atletas que se submetem a programas de exercício físico e dietas alimentares. A avaliação mediante esse somatório é rápida e prática, o que propicia intervenção nutricional e física precoce para alcançar os objetivos preestabelecidos.

Bioimpedância elétrica (BIA)

A análise de impedância bioelétrica (BIA) é um método rápido, não-invasivo e relativamente barato, utilizado para avaliar a composição corporal de indivíduos, tanto sadios quanto enfermos. Este método baseia-se na condução de uma corrente elétrica de baixa intensidade através do corpo. A impedância (Z) ou resistência ao fluxo da corrente elétrica é medida pelo analisador de BIA. A impedância varia de acordo com o tecido que está sendo medido – por exemplo, a massa magra é um bom condutor de energia (devido a sua alta concentração de água e eletrólitos) e a massa gorda é um mal condutor de energia. Desta maneira, um indivíduo com grande quantidade de massa magra terá uma menor resistência à corrente elétrica, ou seja, um menor valor de impedância (Z). Então podemos dizer que Z é diretamente proporcional ao percentual de gordura corporal e os valores encontrados são analisados pelo software do aparelho, que dá o resultado de composição corporal do indivíduo avaliado.

A validade e a precisão do método de BIA são influenciadas por vários fatores, como tipo de instrumento, colocação do eletrodo, nível de hidratação, alimentação e prática de exercícios físicos anteriores ao teste, ciclo menstrual, temperatura ambiente e equação de predição. Várias equações de BIA foram desenvolvidas para crianças, idosos, índios americanos, hispânicos, brancos, obesos e atletas.

Apesar da exatidão relativa do método de BIA ser similar ao das dobras cutâneas, a BIA pode ser preferida em algumas situações, porque:

  •  não requer um alto grau de habilidade do avaliador;
  • geralmente é mais confortável e não invade tanto a privacidade do indivíduo;
  • pode ser usada para estimar a composição corporal de indivíduos obesos.

 

 

Gordura corporal

Diante da importância da composição corporal sobre o aspecto de saúde dos indivíduos, é necessário que os profissionais disponham de métodos confiáveis e de fácil utilização para sua avaliação. Desta maneira, conhecer a validade desses métodos é imprescindível para a aplicação dos mesmos, com objetivo de obter estimativas mais precisas da gordura corporal.

Neste post explicamos um pouco mais sobre a mais utilizadas para vocês, porém é necessário que cada Nutricionista avalie a individualidade de cada paciente, para fazer um atendimento de cada vez mais excelência.

Gostou?

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Texto: Anne Karoline Paiva
Revisão: Ju Tolêdo

Bibliografia Consultada:

BUSCARIOLO, F.F.; CATALANI, M.C.; DIAS, L.C.G.D.; NAVARRO, A.M. Comparação entre os métodos de bioimpedância e antropometria para avaliação da gordura corporal em atletas do time de futebol feminino de Botucatu/SP. Revista Simbio-Logias, v. 1, n. 1, 2008.

DEMINICE, R.; ROSA, T.F. Pregas cutâneas vs impedância bioelétrica na avaliação da composição corporal de atletas: uma revisão crítica. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano, v. 11, n. 3, p. 334-340, 2009.

FAGUNDES, M.M.; BOSCAINI, C. Perfil Antropométrico e comparação de diferentes métodos de avaliação da composição corporal de atletas de futsal masculino. Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, v. 8, n. 44, p. 110-119, 2014.

REZENDE, F.A.C.; ROSADO, L.E.F.P.L.; PRIORE, S.E.; FRANCESCHINI, S.C.C. Aplicabilidade de equações na avaliação da composição corporal da população brasileira. Revista de Nutrição, v. 19, n. 3, p. 357-367, 2006.

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