Carrinho Vazio

Blog da Cookie

Nutricionista, Você Calcula Dieta Abaixo da TMB De Seu Paciente?

Nutricionista

De uma coisa temos certeza: você, nutricionista, certamente já ouviu muitas pessoas falando sobre emagrecer rápido e de maneiras não saudáveis. É um boom de dietas, que ficamos até perdidos quando algum conhecido ou paciente chega nos contando! É dieta detox, dieta mediterrânea, dieta da USP, dieta HCG, dieta proteica, dieta da água, dieta da sopa, dieta da lua, dieta vegetariana, dieta Dukan, dieta do tipo sanguíneo, dieta de 7 dias, dieta com shakes… Ufa! Todas elas aparecem na fala de muitos, e todas têm algo em comum: alta restrição calórica! Mas não aquela restrição calórica saudável. Muitas vezes estas dietas chegam a ter menos calorias do que a própria Taxa Metabólica Basal (TMB) do paciente. Você acha que isso é interessante? É claro que não! Mas vamos explicar porque isso pode fazer com que a pessoa acabe engordando mais ainda!!

Começando pela TMB…

Taxa Metabólica Basal

A Taxa Metabólica Basal é a quantidade de energia requerida para manter processos essenciais ao organismo, como atividades do sistema nervoso, ventilação pulmonar, manutenção da temperatura corporal, circulação, secreção de hormônios, excreção renal e tônus muscular! Ou seja, são as calorias que o corpo humano precisa para sobreviver com saúde! Além disso, o metabolismo basal é responsável por até 75% do gasto calórico de todo o dia. Quanto maior a TMB ou GEB, maior será a queima de gorduras de seu paciente!

E não é melhor fazer uma dieta e comer menos?

Dieta

Que as dietas restritivas emagrecem, não temos dúvidas! Porém elas são eficazes apenas na redução ponderal em curto prazo. Desmistifique a informação de que não comer, ou comer bem pouco é melhor para emagrecer! Para que o paciente não tenha quedas no metabolismo basal, é recomendado que o valor energético total (VET) da dieta seja igual ou maior que a TMB. Porque se a ingestão de energia for muito restrita, o organismo irá se adaptando para sobreviver com menos, e então o metabolismo cairá mais e mais. Resultado: cada vez o organismo do seu paciente gastará menos energia e a tendência a engordar só vai aumentando!

Além disso, a avaliação qualitativa destes planos alimentares restritivos não é satisfatória, pois, em sua maioria, estas dietas enfatizam apenas um grupo alimentar. E, bem sabemos, que nosso corpo precisa de todos os nutrientes para funcionar adequadamente (carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas, minerais…).

O prejuízo para o organismo é inevitável! Devido as baixíssimas calorias e nutrientes ingeridos, podem aparecer problemas como desnutrição, cansaço, baixas taxas de açúcar no sangue, queda de cabelo, unhas enfraquecidas, irritabilidade, dificuldade de concentração, pele seca, constipação, diarreia, dores de cabeça, desmaios, menstruação irregular, além da tão temida queda significativa na taxa metabólica basal (metabolismo lento). E mais: outros desequilíbrios metabólicos importantes podem aparecer, como sobrecarga nos rins e no fígado, redução na concentração de hormônios da tireoide e do HDL colesterol (colesterol bom), diminuição do débito cardíaco, frequência cardíaca, pressão arterial e também da massa óssea.

Dieta e Fome

E vamos combinar: ninguém consegue ficar sem comer direito por muito tempo! E se conseguir, é melhor ficar ligado, pois isso não é normal. Quando alguém que ficou em dieta restrita por algum período desiste do plano alimentar, volta a comer com toda força! E, além de ter reduzido a TMB através da restrição (pela perda de massa magra), a compulsão alimentar aparece (pelo próprio comportamento alimentar e também pelo fato de muitos hormônios ficarem desregulados). Metabolismo lento + compulsão alimentar = terrível efeito sanfona: engorda, emagrece, engorda, emagrece, engorda, emagrece

Biologicamente falando, o déficit energético é o que realmente faz com que o indivíduo perca peso. Ou seja: consumir menos e gastar mais. Lembrando que o “consumir menos” não é comer 500 Kcal por dia! Cada pessoa tem sua individualidade e necessidade energética. Tudo é uma questão de equilibrar o que se come todos os dias e reservar aquele tempinho para uma boa atividade física orientada por um profissional. Em resumo: ajustes sim, exageros não!

Depois da TMB… e o VET?

Dieta

O Valor Energético Total (VET) é o total de calorias da dieta que será prescrita pelo nutricionista. Isso determinará se o paciente vai ganhar, perder ou manter a massa corporal (peso). Ele pode ser calculado a partir de fórmulas e protocolos que auxiliarão na prescrição dietética mais adequada para seu paciente.

Então o que fazer para convencer meu paciente?

Nutricionista e Dieta

Os nutricionistas, na hora de atender, devem levar em consideração os hábitos alimentares dos pacientes construídos a partir da experiência familiar e do ambiente social. Se seu paciente acredita piamente que emagrecerá fazendo a dieta da celebridade, você vai ter que suar a camisa para provar o contrário. Temos que lutar diretamente com os meios de comunicação em massa, pois estes contribuem, e muito, para o aparecimento de conceitos inadequados a respeito de saúde e “corpo ideal“.

Explique para seu paciente, com base em dados científicos, os riscos de colocar em prática períodos longos de jejum e também dietas muito restritivas! Muitas vezes o necessário é apenas um ajuste qualitativo. Muitas vezes o volume de alimentos da dieta de emagrecimento é maior que o consumo habitual do paciente, simplesmente porque ele comia pouco e errado! Não há emagrecimento com eficiência quando se faz dietas restritivas. Ajude seu paciente a reconhecer que uma boa reeducação alimentar o fará ter saúde e, em consequência disso, os quilinhos na balança diminuirão. Isso sim será o seu melhor marketing pessoal!

♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦♦

Gostou? Nas Planilhas Cookie® você encontra todos estes cálculos de necessidades energéticas para realizar um atendimento nutricional de excelência!

para você!

Siga cookie no instagram

Texto: Anne Karoline
Revisão: Ju Tolêdo

Bibliografia Consultada:

ALMEIDA, J.C.; RODRIGUES, T.C.; SILVA, F.M.; AZEVEDO, M.J. Revisão sistemática de dietas de emagrecimento: papel dos componentes dietéticos. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia e Metabologia, v. 53, n. 5, 2009.

CABRAL, A.B.G.; PAVAM, C.A.; COSTA, J.A.S.; SANTOS, R.F.T. Dietas da moda: qual o mal que podem causar à saúde humana. Universidade Federal de Juiz de Fora, Departamento de Nutrição, 2010.

Planilhas Cookie®

SANTANA, H.M.M.; MAYER, M.D.B.; CAMARGO, K.G. Avaliação da adequação nutricional das dietas para emagrecimento veiculadas pela internet. ConSCIENTIA e Saúde, v. 2, p. 99-104.

Deixe o seu comentário

Carrinho Vazio