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Mitos e Verdades Sobre o Colesterol

coração

Hoje, 08 de agosto, comemora-se o Dia Nacional do Controle do Colesterol, que foi instituído pelo Governo, em 2003, com o objetivo de conscientizar a população sobre as doenças decorrentes da elevada taxa de colesterol sanguíneo, sobre a importância do controle da doença e como é feito o tratamento. Atualmente, cerca de 40% dos brasileiros tem colesterol alto e, aproximadamente, 17 milhões de pessoas morrem em todo o mundo devido às doenças do coração, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No País a data foi instituída por causa dos altos números de mortes, cerca de 300 mil por ano, em decorrência de infartos e derrames.

coraçãoMuita gente diz saber de alguma prática, alimento ou receita que combata o colesterol – algumas possuem fundamentos científicos, enquanto outras são apenas mitos que rodeiam o imaginário popular. E, no meio de todas essas dúvidas e incertezas, inúmeras pessoas deixam de fazer o tratamento correto, agravando sua situação de saúde. Então escolhemos alguns dos conceitos mais polêmicos e utilizados para confirmar – ou não! – a sua veracidade. Assim, você saberá no que investir e o que esquecer quando o assunto for “colesterol alto”.

 

Verdade

  • A prática de atividade física ajuda a controlar o colesterol

A prática de exercícios físicos aeróbios promove aumento dos níveis de HDL-colesterol e redução do colesterol total. Além disso, as pessoas que praticam exercícios regularmente possuem mais disposição para seguir uma alimentação equilibrada.

 

  • Colesterol é sinônimo de problema

Mentira

Apesar da péssima fama que possui, o colesterol é um composto essencial para a vida, estando presente nos tecidos de todos os animais. O colesterol é precursor dos hormônios esteroides, dos ácidos biliares e da vitamina D. Além disso, como constituinte das membranas celulares, o colesterol atua na fluidez destas e na ativação de enzimas aí situadas. problema é o excesso de colesterol – especificamente das chamadas lipoproteínas  LDL-colesterol e VLDL-colesterol – duas formas de transporte que o colesterol assume quando está na corrente sanguínea. Em excesso, elas lesam a parede das artérias, gerando um processo inflamatório crônico mais conhecido como aterosclerose. Daí, a fama de “colesterol ruim”. Quanto ao HDL-colesterol, outra lipoproteína que transporta colesterol, ela o leva até o fígado, onde este é captado e metabolizado. O HDL também tem outras ações que contribuem para a proteção do tecido vascular contra a aterogênese (formação de placas de gordura no interior dos vasos sanguíneos), tais como a remoção de lípideos oxidados da LDL, inibição da ação de células inflamatórias e estimulação da liberação de óxido nítrico (vasodilatador). Por estas funções protetoras, ele é chamado de “bom colesterol”.

 

  • VerdadeVinho tinto ajuda a reduzir o colesterol

O consumo moderado de vinho tinto, ou seja, um cálice para mulheres e dois cálices para homens, é um ótimo aliado para o controle do colesterol. Isto ocorre graças aos flavonoides presentes nas uvas roxas. Os flavonoides possuem efeito antioxidante, que diminui a circulação do LDL-colesterol, reduz os processos inflamatórios dos vasos, trombose e placas de ateroma (placas de gordura que se formam nas paredes das artérias).

 

  • Berinjela reduz o colesterol

DependeNa forma de suco, pó, cápsula ou chá, a berinjela é muito utilizada para o combate ao colesterol. Entretanto, a história não é bem assim… Vários estudos feitos em animais atestam o efeito da berinjela como redutor do colesterol: entretanto, este efeito é obtido graças ao elevado teor antioxidantes (como os flavonoides) e fibras naturalmente presentes neste alimento. Em humanos o uso da berinjela como uma opção terapêutica alternativa não está fundamentado por evidências científicas suficientes.

 

  • O ovo deve ser banido da dieta

Mentira

Considerado o maior vilão das dietas nas décadas de 60 e 70, o ovo merece sair da lista negra! A gema do ovo realmente é rica em colesterol (225 mg de colesterol), mas isso não é um perigo em uma dieta balanceada. Inúmeros estudos comprovam que o consumo do ovo possui muito mais benefícios do que malefícios. Isto porque boa parte do colesterol vindo do ovo não é absorvida pelo nosso organismo, não circulando na corrente sanguínea. Desta forma, o colesterol proveniente da gema do ovo não é relacionado a nenhum efeito sobre o colesterol total. Como benefícios, o ovo é rico em proteínas de alto valor biológico, vitaminas do complexo B, A, E, K, minerais como ferro, fósforo, selênio, zinco, e outros. A recomendação de ingestão do ovo, que antes era de até 3 vezes por semana está sendo revista e novas pesquisas indicam que a ingestão de um ovo ao dia é aceitável em pessoas saudáveis, se outros alimentos ricos em colesterol forem limitados na dieta.

 

  • VerdadeO anticoncepcional pode interferir nos níveis de colesterol

A influência dos anticoncepcionais sobre os lipídios plasmáticos depende do balanço entre as dosagens de estrogênio/progesterona. Ainda assim, estudos mostram que mesmo em baixas dosagens, os contraceptivos orais contribuem para modificar o metabolismo das lipoproteínas, aumentando os níveis de colesterol total e triglicérides. O uso de anticoncepcional pode, portanto, figurar como um fator de risco importante para o desenvolvimento de doenças arteriais em mulheres sedentárias e predispostas à doença.

 

  • VerdadeFumar interfere no colesterol

Toda a função cardiovascular é afetada pelo cigarro, causando disfunções nas células dos vasos sanguíneos, como redução da vasodilatação e processos inflamatórios. Os efeitos negativos são evidentes em pacientes hipercolesterolêmicos, pois podem induzir o processo de arteriosclerose. Isto ocorre porque as substâncias tóxicas presentes no cigarro reduzem a capacidade que o organismo tem de remover o colesterol em excesso e aumenta o estresse oxidativo, aumentando a oxidação de LDL-colesterol.

 

  • A chia pode contribuir para a redução do colesterol

PrometeA chia (Salvia hispanica), assim como a linhaça, é rica em fibras, antioxidantes, ácido alfalinolênico (ômega-3) e minerais, e está associada à melhora dos fatores de risco cardiovasculares em ratos. Um estudo australiano avaliou se a suplementação de sementes de chia atenuam os sinais metabólicos, cardiovasculares e hepáticos em ratos submetidos a uma dieta rica em gordura e hidratos de carbono durante oito semanas. Houve melhora da sensibilidade à insulina e tolerância à glicose, redução da adiposidade visceral, diminuição da esteatose hepática e redução da inflamação cardíaca e hepática. Ela é um dos alimentos mais recentemente descoberto pela ciência, e ainda está em estudos. Mas a danadinha promete!

 

  • Colesterol alto é doença de pessoas idosasMentira

O colesterol alto é uma doença que atinge qualquer um – criança, adulto e idoso. Na verdade, a prevalência de hipercolesterolemia (níveis aumentados de colesterol no sangue) em jovens aumenta a cada dia! Estudos mostram que 20% das crianças e adolescentes entre os 2 e 19 anos apresentam hipercolesterolemia, onde 8% tem altos valores de LDL (“colesterol ruim”) e 45% apresentam baixos níveis de HDL (“colesterol bom”). Crianças com colesterol elevado correm o risco de sofrer um infarto até 10 anos mais cedo na vida adulta – daí a necessidade de acompanhamento e tratamento precoces. Vale lembrar que as principais causas do colesterol alterado são a má alimentação e falta de atividades físicas, mas o histórico familiar (pais, avós, tios) também pode contribuir para o desenvolvimento da doença.

  • VerdadeA gordura saturada faz subir as taxas de colesterol

A gordura saturada influencia diferentemente os níveis lipídicos plasmáticos, em especial a colesterolemia (níveis de colesterol sanguíneo). A absorção de gordura saturada, ao contrário da absorção do colesterol, não é limitada, portanto sua ingestão promove um efeito mais intenso sobre a colesterolemia. Para reduzir a ingestão de ácidos graxos saturados, deve-se diminuir o consumo de alimentos de origem animal, em especial as vísceras, leite integral e seus derivados, embutidos, frios, pele de aves, polpa e leite de coco e de alguns óleos vegetais, como os de dendê.

 

  • DependeAs frituras aumentam o colesterol sérico

Desde que não sejam feitas com gordura animal, como banha, a fritura não interfere tanto nos níveis de colesterol. Entretanto, dependendo da quantidade de reutilização do óleo e da temperatura, os ácidos graxos insaturados mudam sua posição, transformando-se em ácidos graxos trans. Esta sim, provoca efeitos extremamente danosos ao sistema cardiovascular e no organismo como um todo. Ainda, a fritura soma muitas calorias desnecessárias, podendo, em longo prazo, contribuir para o surgimento da obesidade e, consequentemente, dos problemas cardiovasculares.

 

  • VerdadeA gordura trans é perigosíssima para a saúde. Ela também altera os níveis de colesterol

Os ácidos graxos trans aumentam o LDL-colesterol e reduzem o HDL-colesterol, aumentando, assim, a razão LDL-C/HDL-C e, da mesma forma que outros ácidos graxos, aumentam os triglicerídeos. Desta forma, a gordura trans colabora e muito no processo de formação das placas de ateroma (placas de gordura que se formam nas paredes das artérias). A principal fonte de ácidos graxos trans na dieta é a gordura vegetal hidrogenada, utilizada no preparo de sorvetes cremosos, chocolates, pães recheados, molhos para salada, sobremesas cremosas, biscoitos recheados, alimentos com consistência crocante (nuggets, croissants, tortas), bolos industrializados, margarinas duras e alguns alimentos produzidos em redes de “fast-foods. Cuidado com ela!

 

  • MentiraOs fitosteróis, por serem esteróis semelhantes ao colesterol, aumentam os níveis sanguíneos de colesterol

Na verdade, ocorre o contrário! Os fitosteróis são encontrados apenas nos vegetais e desempenham funções estruturais análogas ao colesterol em tecidos animais. Os fitosteróis reduzem a colesterolemia (níveis de colesterol sanguíneo) por competirem com a absorção do colesterol no intestino. Eles não influenciam os níveis plasmáticos de HDL-colesterol e de triglicérides. Dentre os alimentos ricos em fitosteróis, destacam-se a soja, oleaginosas e os óleos vegetais em geral, principalmente de canola, arroz e girassol.

 

  • VerdadeVou comprar só este óleo vegetal, afinal o rótulo diz não tem colesterol

De fato, ele não possuirá colesterol. Entretanto, esta não é uma característica exclusiva do óleo escolhido. Embora as embalagens tragam esse aviso, nenhum alimento de origem vegetal oferece colesterol, já que ele é específico do reino animal. Os óleos – soja, canola, milho, girassol, oliva e outros possuem ácidos graxos insaturados: monoinsaturados (ômega 9) e poli-insaturados (ômega 3 e 6), que são festejados por sua atuação em prol das artérias. A substituição dos ácidos graxos saturados por ácidos graxos polinsaturados reduz o colesterol total e o LDL-colesterol plasmáticos. Entretanto, os ácidos graxos polinsaturados de ômega-6 (óleos vegetais de soja, milho, e girassol) possuem o inconveniente de induzir maior oxidação lipídica e diminuir o HDL-colesterol quando utilizados em grande quantidade – sendo considerado como um agente pró-inflamatório dos vasos sanguíneos. Os ácidos graxos ômega-3 são encontrados nos vegetais (soja, canola, linhaça e chia) e em peixes de águas frias (cavala, sardinha, salmão, arenque). Promovem redução dos triglicérides plasmáticos pela diminuição da síntese VLDL, podendo ainda exercer outros efeitos cardiovasculares, como redução da viscosidade do sangue, maior relaxamento do endotélio e também efeitos antiarrítmicos. Assim, ele possui um efeito anti-inflamatório dos vasos sanguíneos. Uma suplementação comumente indicada para aumentar os níveis de ômega-3 na dieta é a ingestão de 1g/dia de óleo de linhaça ou de peixe. Já os ácidos graxos monoinsaturados reduzem o colesterol total, LDL-colesterol e aumentam o HDL-colesterol. Suas principais fontes dietéticas são o óleo de oliva, óleo de canola, azeitona, abacate e oleaginosas (amendoim, castanhas, nozes, amêndoas). Autores afirmam que para manter uma boa proporção entre os ômega 3 e 6, prefira os óleos de canola, girassol, soja e milho – nesta ordem.

 

  • As fibras são aliadas das artériasVerdade Pequeno

As fibras são carboidratos complexos classificados em solúveis e insolúveis. As fibras solúveis são representadas pela pectina (frutas) e pelas gomas (aveia, cevada e leguminosas: feijão, grão-de-bico, lentilha, soja e ervilha). Estas fibras reduzem o tempo de trânsito gastrointestinal e a absorção do colesterol. O farelo de aveia é o alimento mais rico em fibras solúveis e pode reduzir o colesterol sanguíneo. As fibras insolúveis não atuam sobre a colesterolemia (níveis de colesterol sanguíneo), mas aumentam a saciedade, auxiliando na redução da ingestão calórica.

 

Bom, é isso, pessoal. Agora vocês sabem o que fazer (e o que não fazer!) para entrar – e vencer – na luta do combate ao colesterol.

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Texto: Dennia Trindade
Revisão: Ju Tolêdo

 

Bibliografia consultada:

Arquivos Brasileiros de Cardiologia. I Diretriz sobre o consumo de gorduras e saúde cardiovascular.

Arquivos Brasileiros de Cardiologia. Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia. IV Diretriz Brasileira sobre Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose.

Archivos Latinoamericanos de Nutrición. Ovo: Conceitos, análises e controvérsias na saúde humana.

Ministério da Saúde. Colesterol é uma das principais causas de problemas cardíacos no país.

Ministério da Saúde. Alimentação dos brasileiros tem excesso de gorduras, segundo Ministério da Saúde.

Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia. Ausência de efeito hipolipemiante da Solanum melongena L. (berinjela) em pacientes hiperlipidêmicos.

Arquivos Brasileiros de Cardiologia. O suco de berinjela (Solanum melongena) não modifica os níveis séricos de lípides.

Revista Brasileira de Análises Clínicas. Flavonoides e aterosclerose. 

Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretoria de Promoção de Saúde Cardiovascular. Cartilha Informativa: campanhas temáticas para crianças.

Revista Brasileira de Fisioterapia. Influência do uso de contraceptivos orais nos níveis lipídicos e nas respostas cardiorrespiratórias de mulheres saudáveis e sedentárias.

Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia. Tabagismo em idosos.

Revista de Nutrição. Balanço entre ácidos graxos ômega-3 e 6 na resposta inflamatória em pacientes com câncer e caquexia.

Archivos Latinoamericanos de Nutrición. Efeitos terapêuticos dos fitosteróis e fitostanóis na colesterolemia. Diagnóstico e Tratamento. Chia (Salvia hispanica).

Journal of Biomedicine and Biotechnology. The Promising Future of Chia, Salvia hispanica L. 

Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia. Impacto da prática habitual de atividade física no perfil lipídico de adultos.

Revista Brasileira de Medicina do Esporte. Dispêndio energético diário e níveis de lipídeos-lipoproteínas plasmáticos em adolescentes. 

Ômega 3 e ômega 6: o equilíbrio dos ácidos gordurosos na prevenção de doenças.

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