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Nutricionista, Como Induzir o Seu Paciente ao Erro?

Paciente Erro Nutrição

Você é Nutricionista? Ficou confuso(a) com o título?! Calma! Nós só queríamos ver se você estava bem atento a ele. O post de hoje vai tratar de algo bastante sério dentro da nossa profissão! Como será que lidamos com a vida, os sentimentos e, principalmente, as recaídas de nossos pacientes? Somos compreensivos? Entendemos diversas situações? Sabemos motivar? Ou desmotivar? Vamos pensar…

Consulta Nutrição

A paciente chegou em seu consultório. Acima do peso. Sedentária. Já deu chance pra dieta da sopa, dieta da lua, dieta da água gelada, dieta do abacaxi, dieta detox e nada! Perdia alguns quilos, ganhava o dobro deles. Quer ter o corpo da Gabriela Pugliesi, faz jejum, toma suco detox (que ela não gosta) toda manhã, vai para a academia, passa mal. Tranca a matrícula. Passa dias e mais dias convicta de que não consegue mesmo emagrecer, e vai comer tudo que tem direito. Vem o sentimento de culpa, a frustração, ela percebe que precisa mudar de vida e procura você. Um ciclo. Comum em nossa profissão.

Neste momento, tudo que essa paciente quer é uma fórmula milagrosa, que a faça perder bastante peso em poucos dias e que todos à sua volta percebam o quanto ela emagreceu. Tudo que ela quer é que você devolva a felicidade a ela e mostre que todos os seus problemas serão resolvidos. Finalizados. Que a partir dali uma vida nova começa, com muito mais alimentos in natura, livre de agrotóxicos, repletos de fibras, cheios de nutrientes… A partir dali começará uma vida “fitness“, cheia de alegrias, foco, motivação, facilidades e amor próprio.

Primeiro dia. Tudo começa bem. Frutas, café sem açúcar e sem adoçante e pão integral no café da manhã. Iogurte com castanhas no lanche da tarde. Para o jantar, uma saladinha com filé de peito de frango. Na ceia, alguns biscoitos com chá. Treino. No pain no gain. Foco, força e fé. No Instagram a musa fitness celebrando o quanto a vida é bela, com uma foto acrobática no meio da praia. Os dias vão passando. A TPM chega. A pressão aumenta no trabalho. Briga com o namorado. O pneu do carro furou. O dinheiro acabou. A calça ainda não entrou. Motivação foi embora. Tudo que ela quer é comer uma pizza bem grande e gostosa, acompanhada por sorvete. Pra completar, um chocolatinho, que não faz mal a ninguém… Chega em casa, abre o Instagram da Nutri, vê uma imagem como essa:

Erro Nutrição

Pimba!

Sou gorda mesmo, sem foco. Nunca vou conseguir emagrecer. Que se dane essa dieta.” No dia da consulta, o profissional diz que a paciente não teve foco e que, “jacando” desse jeito, nunca conseguirá perder peso. A faz se sentir culpada pelos 900 g a mais na balança e prescreve um plano alimentar ainda mais restrito.

Será mesmo?! Uma situação como essa seria motivacional ou “desmotivacional“? Estamos induzindo nossos pacientes ao erro ou estamos fazendo com que eles aprendam a conviver melhor com a comida? O que quer dizer, para nós, “ter uma alimentação balanceada“? Ainda nos pegamos pensando na visão restrita e dicotômica dos alimentos bons e ruins? Ainda nos pegamos recomendando nutrientes ao invés de alimentos para as pessoas? Estamos induzindo nossos pacientes ao erro ou estamos ajudando-os a entender os aspectos biológicos, sociais e emocionais da alimentação?

Obesidade Infantil

Estamos na era da evolução digital, das informações ultrarrápidas, do contexto da saudabilidade gritando por todos os lados, da vida ativa, do fitness sendo associado à felicidade. Em contraponto, os níveis de doenças crônicas não transmissíveis, como é o caso da obesidade, diabetes tipo II, cânceres, síndrome metabólica, hipertensão, aterosclerose e outras, não param de crescer, inclusive nas crianças! E as projeções não indicam que elas diminuirão. O que está acontecendo?

Estamos ajudando as pessoas a terem hábitos de vida mais saudáveis? Ou estamos mostrando a elas que isso é quase inalcançável? Somos um meio para que a população entenda melhor sua alimentação ou somos apenas os “fiscais da comida?”

Está na hora de começarmos a não induzir nossos pacientes ao erro. Vamos ter uma visão mais humanizada da Nutrição? Pense nisso!

 

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