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Criança Com Baixo Peso? Saiba o que fazer

criança magra

criança com baixo peso

O post de hoje é sobre um assunto sério: crianças com baixo peso. Embora seja comum vermos e lidarmos com crianças “fofinhas, gordinhas, fortinhas e saudáveis” – muitas até ultrapassando os limites da eutrofia -, as crianças “magrinhas, com baixo peso” ainda são uma realidade de muitas famílias e hospitais, merecendo toda a nossa atenção.

A infância é um período em que se desenvolve grande parte das potencialidades humanas. Os distúrbios e problemas que surgem nessa época – como o baixo peso – são responsáveis por graves consequências para os indivíduos adultos. Afinal, toda pessoa nasce com um potencial genético de crescimento que pode ou não ser atingido, dependendo das condições de vida que foi submetida da infância à vida adulta.

O baixo peso e a desnutrição estão intimamente ligados, sendo decorrentes de uma deficiência de energia e proteínas, representando uma síndrome carencial que reúne diversas manifestações clínicas, antropométricas e metabólicas, em função da intensidade e duração da deficiência alimentar.

Para lidarmos com estes pacientes, é preciso compreender suas causas e, através doa acompanhamento nutricional, reverter o quadro, prevenir complicações e garantir ao máximo a qualidade de vida! Afinal, nós nutricionistas, estamos aqui para isso!

Baixo peso: uma visão mundial e nacional

Segundo a OMS (2006), 30% das crianças em todo o mundo apresentam baixo peso como consequência da má alimentação e/ou repetidas infecções. Segundos dados de 2006, o Brasil apresenta queda na taxa de baixo peso de 5,7%. Porém, esta taxa possui uma grande variação em diferentes regiões do País – a taxa de baixo peso no Nordeste, por exemplo, é maior do que a das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Apesar disto, é importante lembrarmos que a prevalência de sobrepeso e obesidade infanto-juvenil está aumentando ao longo dos últimos anos!

criança com baixo peso

Causas relacionadas ao baixo peso

A causa mais comum do baixo peso em crianças é a desnutrição. A desnutrição pode ocorrer precocemente na vida intrauterina (criança com baixo peso ao nascer, ou seja, menos do que 2500 g) e também na primeira infância, ocasionada pela interrupção precoce do aleitamento materno exclusivo (até os 6 meses) e alimentação escolar inadequada nos primeiros dois anos da criança. Uma criança com baixo peso pode ter, além de deficiências nutricionais, quadros de anemia, retardo do crescimento e do desenvolvimento mental.

Toda esta situação é comumente associada à privação alimentar ao longo da vida e à ocorrência de uma série de doenças infecciosas e respiratórias.

Existem vários outros motivos que podem causar baixo peso e, por consequência, o desnutrição:

 

  • A intolerância alimentar refere-se a qualquer resposta anormal a um alimento ou aditivo alimentar, sem envolvimento de mecanismos imunes. Um exemplo é a intolerância à lactose, ocasionada pela ausência e/ou deficiência da enzima lactase, que digere a lactose no intestino. A intolerância à lactose frequentemente causa diarreia nas primeiras horas seguintes à sua ingestão. Esta diarreia, quando frequente, ocasiona desnutrição.
  • Outro problema é a hospitalização. Em torno de 48% pacientes hospitalizados não se alimentam suficientemente para atingir suas necessidades calórico-proteicas devido aos mais variados fatores, como a doença de base, dor, vômitos, náuseas, ansiedade e depressão. Um estudo avaliando crianças hospitalizadas em hospitais universitários e de ensino revelou prevalência de desnutrição e risco nutricional de 30% e 20%, respectivamente.
  • A inapetência alimentar é uma queixa comum dos pais: a criança simplesmente não quer comer, rejeitando os alimentos. Os pais acabam ofertando alimentos altamente calóricos, ricos em gorduras e açúcares e pobres em nutrientes – o que acarreta em um quadro de desnutrição!
  • O refluxo também pode ocasionar o baixo peso infantil. Mas não é o refluxo fisiológico – que surge entre o nascimento e quatro meses de vida e apresenta resolução espontânea, sem comprometimento do crescimento e desenvolvimento da criança. A doença do refluxo gastroesofágico faz com que a criança tenha regurgitações variáveis, vômitos frequentes, dificuldades em se alimentar, pneumonias e baixo ganho de peso (às vezes até perda de peso).

Problemas associados ao baixo peso

O baixo peso ao nascer, além de ser um risco biológico associado a diversas variáveis biológicas, clínicas e sociodemográficas, pode ser fator de risco para a presença de dificuldades comportamentais e de depressão infantil. Um estudo realizado na USP verificou que as crianças nascidas com baixo peso são mais propensas a apresentar depressão e dificuldades comportamentais (como a hiperatividade) na idade escolar, em comparação a crianças nascidas com peso normal. Uma pesquisa feita pelo Instituto da Criança, do Hospital das Clínicas (HC), em São Paulo, relatou que existe um ciclo hereditário que aumentaria as chances da criança que nasce com baixo peso infantil de desenvolver problemas crônicos. Segundo a pesquisa, bebês que nascem com menos de 2,5 quilos têm maior probabilidade de sofrer com esses problemas e também de, futuramente, gerar filhos abaixo do peso.

Criança com baixo peso

Este assunto já é antigo na comunidade científica: um estudo realizado em 1994 avaliou o desempenho escolar em crianças com baixo peso ao nascer. Os resultados indicaram que o peso ao nascer está relacionado à prevalência de insuficiência de grau e à colocação em classes especiais. Além disso, as crianças com peso extremamente baixo possuem um menor QI, o que gera grandes dificuldades em matemática e leitura, quando comparados ao grupo de crianças com peso normal ao nascer. Mesmo entre as crianças com escores de QI acima de 85, as crianças de extremo baixo peso ainda obtiveram as notas de matemática mais baixas do que as crianças com peso normal, sugerindo futuras necessidades educacionais.

Como proceder

Superalimentar a criança na tentativa de fazê-las atingir o peso ideal só tende a agravar o problema, segundo uma pesquisa realizada na Universidade Federal de Goiás (UFG). Eles analisaram grupos de estudantes entre 8 e 11 anos e descobriram que, mesmo antes de entrar na puberdade, aqueles que nasceram com peso igual ou menor que 2,5 kg já apresentavam sinais de que poderiam desenvolver problemas de saúde no futuro. Mas não se desespere: isso pode ser evitado com uma dieta equilibrada e hábitos saudáveis de vida.

As conclusões se basearam na “hipótese da programação fetal”, já levantada por vários estudos internacionais. Entende-se por programação a modificação permanente na estrutura, fisiologia ou metabolismo de um órgão devido a estímulos ou agravos durante um período crítico de desenvolvimento. Um dos mais importantes tipos de programação consiste naquele induzido pela nutrição no início da vida, sendo o baixo peso ao nascer um marcador de deficiente nutrição fetal.

Desta forma, a teoria propõe que quando há uma baixa oferta de nutrientes ao feto durante a gestação, seu organismo se adapta a esse ambiente pobre através de modificações endócrinas e metabólicas, tornando-se poupador. Se o padrão de nutrição se normaliza após o nascimento, a criança pode, ao longo da vida, desenvolver problemas como obesidade, resistência à insulina, diabetes e hipertensão. O que fazer?

Primeiramente, evitar toda esta situação. Para isto, as políticas de saúde precisam intensificar seus esforços em medidas que promovam adequado ganho de peso intrauterino e nutrição pós-natal, sempre estimulando a prática de aleitamento materno. Após o dano, o ideal é procurar o médico pediatra e o nutricionista, que planejará a dieta da criança segundo a causa do baixo peso e suas necessidades específicas. Cada caso é um caso e não dá para tratar o baixo peso infantil como se possuísse uma etiologia única.

Oferecer uma dieta adequada é imprescindível para recuperação do peso e prevenção de complicações. Duas fórmulas infantis, a Nutrem Junior e a Nutrem Kids são especializadas para atender as necessidades nutricionais das crianças e contribuir para que o objetivo da dietoterapia seja cumprido: restabelecer o peso adequado e o estado nutricional e prevenir maiores complicações. Você encontra os dois produtos na nossa parceira Via Nut.

criança com baixo peso

Tratar uma criança com baixo peso nem sempre é fácil e envolve uma série de fatores físicos, genéticos, sociais e ambientais que devem ser considerados. É preciso conhecer a fundo a causa da disfunção e, através de uma dietoterapia individualizada, fazer com que esta criança cresça saudável, sem levar para a vida adulta os encargos e consequências relacionados ao baixo peso. Afinal, para ser um adulto saudável, é preciso que a infância também o seja!

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Texto: Dennia Trindade
Revisão: Lúria Papacosta

 

Bibliografia Consultada:

PROJETO DIRETRIZES. Terapia Nutricional no Paciente Pediátrico com Desnutrição energético-proteica. 2011.

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SECRETARIA MUNICIPAL DA SAÚDE DE RIBEIRÃO PRETO. Boletim farmacoterapêutico número 21. Protocolo sobre refluxo gastroesofágico. 2009.

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REVISTA CRESCER. Bebês com baixo peso podem se tornar adultos hipertensos.

AGENDA USP DE NOTÍCIAS. Depressão infantil está associada ao baixo peso ao nascer. 2014.

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JORNAL ESTADÃO. Superalimentação não ajuda bebê com baixo peso. 2009.

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