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Cintura como Indicador de Riscos para a Saúde

Todos sabemos que o excesso de peso por acúmulo de gordura corporal afeta diretamente a saúde e a qualidade de vida. Mas você sabia que nem todo acúmulo de gordura representa o mesmo risco para a saúde? O IMC e o peso “ideal” não são suficientes ao realizarmos esta avaliação. Nesse sentido, o perímetro ou circunferência da cintura (CC) é utilizado como um importante indicador de saúde, especialmente para a saúde do coração.

Distribuição da gordura corporal

Também conhecida como androide, abdominal ou “maçã”, a obesidade central é mais comum em homens e se refere ao maior acúmulo de gordura na região do tronco. Nesses casos, os indivíduos acumulam gordura na região intra-abdominal, ao redor e dentro das vísceras, o que aumenta o risco de desenvolver doenças crônicas não-transmissíveis, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, doenças cardiocirculatórias (infarto, derrame, isquemia, arteriosclerose), dislipidemias (colesterol e triglicérides elevados), doenças da vesícula biliar, osteoartrite, apneia do sono, outros problemas respiratórios e cânceres de próstata, cólon, endométrio e mama. Se a gordura na região for predominantemente subcutânea, e não intra-abdominal, o risco para a saúde é menor.

O outro tipo de distribuição de gordura em obesos, chamada “pera”, periférica ou ginecoide, é mais comum em mulheres. Indivíduos com esse tipo de obesidade estão mais propensos a apresentar doenças vasculares nas pernas, como insuficiência venosa ou arterial, além osteoartrose e outros problemas ortopédicos. Há, também, aumento do risco das complicações citadas para a obesidade central, mas em menores proporções.

Para identificar como está a distribuição de gordura corporal, e na impossibilidade da realização de exames de imagem, a medida antropométrica utilizada é a CC. Não há um consenso sobre um local para se medir a cintura. Existem aproximadamente 15 pontos anatômicos ou técnicas diferentes para isso. Algumas literaturas, inclusive, trazem a medida como sinônimo de circunferência de abdômen.

 

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Medida da Cintura

Os 4 principais locais anatômicos para realização da medida da cintura, de cima para baixo

  1. Abaixo do último arco costal, ou seja, imediatamente abaixo da última costela: este local é indicado pelo Anthropometric Standardization Reference Manual e é de fácil localização, mesmo em obesos.
  2. Menor circunferência: é o local mais frequentemente recomendado, de fácil identificação visual na maioria das pessoas e também indicado pelo Anthropometric Standardization Reference Manual.
  3. Ponto médio entre o último arco costal e a crista ilíaca: demora mais a ser feito que os dois anteriores, pois é necessário marcar os pontos anatômicos corretamente. Este local é adotado pela WHO/OMS.
  4. Imediatamente acima da crista ilíaca: tecnicamente mais difícil de fazer (devido à instabilidade da fita sobre a pele), porém o local que mais se relaciona com exames de tomografia computadorizada para verificação de gordura visceral. Local adotado pelo National Institutes of Health.

Quanto a cintura deve medir?

Basicamente, há duas formas mais eficientes de se avaliar os resultados encontrados: 

1. Comparar os valores encontrados com os pontos de referência estabelecidos pelo National Institute of Health:
– se CC >= 80 cm em mulheres ou CC >=  94 em homens –> risco aumentado de comorbidades e complicações metabólicas
– se CC >= 88 cm em mulheres ou CC >=  102 em homens –> risco muito aumentado de comorbidades e complicações metabólicas

2. Dividir CC pela estatura (ambas medidas em cm) e calcular a relação cintura estatura (RCE), que deve ser <= 0,5. O RCE apresenta ponto de corte único e aplicável à população geral, independente de sexo, idade e etnia. Há ainda algumas controvérsias sobre o ponto de corte, mas a maioria dos autores refere-se à ideia de que a cintura deve ser menor que a metade da estatura.

Independente do protocolo adotado, é importante utilizar sempre a mesma metodologia na reavaliação dos pacientes, evitando assim, erros de comparação das medidas. Além do IMC e da medida da cintura, outras medidas e indicadores podem ser feitos para ampliar a qualidade da avaliação de risco cardiovascular: perímetro do pescoço, percentual de gordura total, uma anamnese bem feita, avaliação bioquímica e avaliação pelo Score de Framingham.

Obs.: A relação cintura quadril (WHR ou RCQ) tem sido abandonada por alguns estudiosos por ser menos eficiente que a medida da cintura isolada. 

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Bibliografia consultada:

CARNAVAL, P.E. Medidas e Avaliação em Ciências do Esporte. Rio de Janeiro: Sprint, 1998.

CUPPARI, L. Nutrição Clínica no Adulto. Barueri: Manole, 2002.

FILHO, J. F. A prática da avaliação física: teste, medidas e avaliação física em escolares, atletas e academias de ginástica. 2. ed. Rio de Janeiro: Shape, 2003.

HEYWARD, V. H.; STOLARCZYK, L. M. Avaliação da composição corporal aplicada. 1.ed. São Paulo: Manole Ltda., 2000.

LOHMANN, T. G. Anthropometric Standardization Reference Manual. Champaign, Illinois: Human Kinetics, 1988.

MARTINS, C. Avaliação do estado nutricional e diagnóstico. Volume 1. Curitiba: Nutro Clínica, 2008.

MUSSOI, T.D. Avaliação Nutricional na Prática Clínica: da gestação ao envelhecimento. Guanabara Koogan: Rio de Janeiro, 2014.

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